Convivendo com o inimigo
Regina Navarro Lins
Comentando o “Se eu fosse você''
A questão da semana é o caso é o caso da internauta , de 22 anos, que tem medo do seu marido agressivo. Ele explode por qualquer coisa e a agride fisicamente.
Pela História vemos que a mulher sempre foi extremamente maltratada pela violência do homem, considerada banal no lar. E ela tinha que aguentar e sofrer sem se queixar. Isso durou muito tempo.
Mesmo no século 20, ninguém queria intervir em briga de marido e mulher. Alegava-se que se tratava de um assunto privado e havia um ditado popular bem conhecido que dizia: “Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”.
Foi somente na década de 1970, com as iniciativas das feministas, que se começou a estudar o impacto da violência conjugal sobre as mulheres. Mesmo assim muitas continuam sendo agredidas por seus maridos.
Levantamento do Mapa da Violência comparou a taxa de violência contra a mulher em 83 países. A taxa de 4,8 assassinatos de mulheres para cada 100.000 habitantes coloca o Brasil na quinta colocação do ranking mundial desse tipo de crime, atrás apenas de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia.
A psicanalista francesa Marie-France Hirigoyen, autora de um livro sobre o tema, afirma que quando o homem agride a mulher no lar ele está apenas deixando claro quem manda em casa.
O subtexto é a submissão. O ganho visado pela violência é sempre a dominação. Mas a mulher deve reagir antes do primeiro tapa, voltando-se contra a violência verbal e psicológica.
É importante perceber os primeiros sinais para encontrarem em si mesmas forças para escapar de situações abusivas. Perceber por que se tolera o intolerável é também compreender como se pode sair dele.
A questão é que desde cedo somos levados a acreditar que a vida só tem graça se encontrarmos um grande amor. Aí, a expectativa é a de que no casamento vamos nos sentir completos para sempre, nada mais nos faltando. Isso é impossível, mas as pessoas se esforçam para acreditar e só desistem depois de fazer inúmeras concessões inúteis.
Muitos se perguntam por que a mulher não se separa quando a relação é abusiva. Em muitos casos, há o medo de se separar. Medo de ficar só, de sentir falta do outro, de não encontrar um novo amor, de se sentir jogadas fora.
E além de todas as questões emocionais que envolvem a separação, a dependência econômica do marido contribui para dificultá-la.
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