terça-feira, 17 de maio de 2016

A mulher que, sozinha, desafiou 300 neonazistas

Internacional  5 de maio de 2016
Tess Asplund, uma mulher negra de 42 anos, viu uma passeata que promovia o Movimento de Resistência Nórdico acontecer no centro de sua cidade, Borlänge (Suécia). E ela não pensou duas vezes ao se colocar no meio dos extremistas.
 
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Tess Asplund, a mulher negra que encarou a passeata de nazistas na Suécia:
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Tess Asplund se opôs a 300 neonazistas em uma passeata contra os imigrantes na Suécia. Arrasou demais Tess 💟
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“It was an impulse. I was so angry, I just went out into the street.” Woman defies 300 neo-Nazis at Swedish rally
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TRADUÇÃO > "Foi um impulso. Eu estava tão brava que fui direto para a rua", diz a mulher que desafiou 300 neonazistas.
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TRADUÇÃO > 'Eu estava pensando: não, caramba, eles não podem marchar aqui'
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sobre a mulher negra enfrentando neonazistas na suécia QUE MULHER MARAVILHOSA
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A coragem dela é motivadora!!!

domingo, 15 de maio de 2016

Texto por Deva Sangito
Segundo pesquisa recente conduzida por uma fabricante de preservativos, apenas 22% das mulheres costumam atingir o orgasmo em suas relações, ao passo que 62% dos homens relatam dificuldades em manter a ereção durante o sexo. Ainda na mesma pesquisa foi revelado que 40%  de todos entrevistados dedicam, no máximo, 15 minutos do seu precioso tempo às preliminares e que 51% dos homens e 56% das mulheres estão insatisfeitos com sua vida sexual.
Ou seja, você que lê esse artigo, provavelmente não sabe transar direito.
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Talvez nunca tenha explorado o próprio corpo de uma maneira saudável – não conta aqui aquela masturbação de 5 minutinhos no banheiro – não deve ter ideia do tipo de toque que lhe dá prazer, o que lhe desagrada e, provavelmente, deve fantasiar mil e uma cenas pornográficas para conseguir manter a excitação durante a transa.
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Outro dado interessante da pesquisa, porém, é que cerca de 17% das pessoas procuram informações em artigos que possam ajudar no desempenho e melhorar a vida sexual. Talvez seja nessa intersecção de grupos que você se encontre. Então vamos começar com a parte que interessa.

Antes, entenda uma coisa…

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Embora muitos tentem te vender essa ideia, não existe um manual, um passo a passo do sexo que transforme você em um Don Juan – ou um Kid Bengala – de uma hora pra outra, simplesmente assimilando teoria. E digo isso pois, trabalhando como Terapeuta Tântrico, vejo várias pessoas procurando o sexo tântrico como se fosse um manual de super performances. Embora existam sim alguns princípios no Tantra que podem abrir um pouco os olhos dos desinformados – princípios que trabalham o nosso corpo, o reconhecimento do outro e que podem aumentar a intimidade do casal, melhorando muito a vida sexual!

O que diz o Tantra

Vamos deixar claro que, embora o Tantra trabalhe a energia sexual – chamada em sânscrito de Kundaliní – e possua um ritual que apresenta sexo – o Maithuna – ele não se limita a ser um guia para transar melhor. Longe disso. O Tantra é uma filosofia comportamental que engloba uma série de atividades, desde a alimentação, o trato com o corpo, a utilização dos sentidos e várias outras práticas. O sexo tântrico é só uma pequena parcela dos ensinamentos do Tantra. Se você procura auto-ajuda sexual, pare agora de ler esse artigo e veja essa vídeo, extremamente elucidativo.


Falando sério agora…

tantraPara o Tantra, ninguém pode ser responsável pelo prazer do outro. Cada um deve ser responsável pelo seu prazer, pelo autoconhecimento da sua própria sensibilidade. Ao contrário do que você pensou, isso não quer dizer “Masturbe-se!”, mas sim que você deve conhecer seu corpo como um todo – os tipos de toque que lhe trazem boas sensações, os toques que não agradam, tomar ciência da sua respiração, da sua presença no momento. Dada a nossa educação sexual tão problemática – com aulas ministradas quase que exclusivamente por atores pornôs – acabamos nos tornando condicionados a usar recursos mentais para criar fantasias e aumentar nossa excitação mesmo durante o sexo. Isso leva ao chamado orgasmo psicogênico – aquele que parte de estímulos cerebrais – que é tão fraco e insatisfatório que pode levar à compulsão sexual (ou, para os mais solitários, um histórico de navegação que deixaria qualquer CD da Valeska Popozuda no chinelo).
O Tantra não só tira esse orgasmo da sua cabeça, como o traz o corpo todo. Todinho. Não apenas para as genitais, como estamos habituados. Algumas técnicas do Tantra tem por objetivo encadear diversos agrupamentos musculares do corpo para reagirem aos impulsos bioelétricos do orgasmo. Isso expande a sensação orgástica, aumenta o prazer e efeito terapêutico que o sexo tem.

Tá, mas e o Sexo Tântrico?

Maithuna – o sexo na ritualística tântrica – é algo difícil de se explicar com palavras. Como tudo no Tantra, ele precisa ser vivido, experienciado. Mas, para não deixar você dormir com essa e sair do SOS se sentindo enganado, vamos tratar um pouquinho do assunto.
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Muita gente pensa que no sexo tântrico existe um livro dos recordes sobre as performances mais demoradas do mundo, ou uma competição acirrada pra ver quem goza por último. O fato do Maithuna levar mais tempo que sexo trivial não significa que essa seja sua meta.
No sexo tântrico, o objetivo é elevar a energia do casal, gerando assim novos estados de percepção e consciência, e não livrar-se dessa energia em um orgasminho de 5 segundos. E para elevar essa energia é preciso tempo, que é aplicado em um processo extremamente prazeroso; o casal aprecia o corpo um do outro com todos os 5 sentidos, sem pressa alguma. Demorar horas e horas não é o objetivo do Sexo Tântrico – é a consequência.
shakti-bliss dance meetingCheira-se todo o corpo do parceiro em busca de feromônios para misturá-los com a saliva, alterando a bioquímica da pele. O toque é redescoberto, sendo levado a regiões fora da zona erógena, mas que podem despertar sensações extremamente prazerosas. As palavras trocadas são doces, de carinho e afeto e nada, mas nada mesmo se inicia antes de uma íntima e acalentadora troca de olhares. Olhos nos olhos, sem correria, aumentando a intimidade do casal, criando cumplicidade e fazendo aflorar o sentimento de compaixão.
Mais calma, menos fantasia, pouco pensamento e muita sintonia; esse é o começo do caminho para você transformar a sua relação sexual. Prolongue as preliminares, não corra em direção ao orgasmo; converse com seu parceiro, pergunte, proponha, ouça. Sinta o sexo com o corpo todo, com todos os sentidos. A sorte é que, mesmo que você não saiba transar direito, pelo menos o aprendizado é delicioso!

Deva Sangito é terapeuta tântrico do Centro Metamorfose, onde atende com o método Deva Nishok de Massagem Tântrica.

Carta a Dilma (por Monique Prada)


dilma-lendoQuerida Presidenta:
(E escrevo ‘Presidenta’ bem assim, com ‘P’ maiúsculo e ‘a’ no final, Presidenta. O som gostoso dessa palavra que nunca antes tínhamos ouvido, porque nunca antes tivemos uma presidenta. O som lindo desta palavra que, para nós, passa a existir a partir de ti – embora já fizesse parte do vocabulário da língua portuguesa há décadas, nos era desconhecida. O machismo velado e o desaforo vulgar, o despeito, no tom de voz das pessoas que se negavam a usá-la. Presidenta. Talvez o maior dos legados que tu tenhas nos deixado, querida Dilma, querida Presidenta, seja mesmo este: nós, as mulheres deste país, hoje sabemos que podemos. A minha filha cresceu com uma mulher na Presidência da República, ela sabe que pode.)
Mas eu te escrevo de longe, eu te escrevo da margem. Aqui, onde políticas públicas mal chegam que não sejam aquelas com o intuito de nos salvar – justo a nós, que salvação outra não desejamos que não passe por exercer nossa atividade em paz e protegidas por um modelo de regulamentação que nos favoreça. Eu te escrevo da margem pra te contar: nós, mulheres prostitutas – marginalizadas e estigmatizadas por uma sociedade que não nos quer à mesa ao mesmo tempo em que segue nos alimentando – nós, mulheres trabalhadoras sexuais, também nos orgulhamos de nossa presidenta. Ainda que nosso último grande avanço enquanto categoria tenha sido a inclusão do trabalho sexual na CBO sob o número 5198/05 – e isso date de mais de uma década atrás – ainda assim, tiveste nosso apoio. Por muitas vezes sentamos juntas pra te ouvir falar, compartilhamos entre nós as tuas palavras, torcemos juntas por tua vitória em 2010 e 2014. Estivemos nas ruas até aqui, e seguiremos nas ruas enquanto for possível –  dessa vez não a trabalho mas em defesa de direitos conquistados a duras penas. Nossas filhas e filhos, e algumas de nós mesmas, já conseguem hoje cursar a universidade – sonho antes distante pro povo aqui da margem. Já não se passa fome em nosso país, e 12 anos de governo popular nos provaram que era possível sim ter orgulho da nossa brasilidade. Há ainda muitos problemas, mas estávamos indo no rumo certo.
No entanto, uma elite machista, racista e asquerosa foi levantando sua voz. Hoje te condenam, e aos governos do PT, e não por aquilo que nós possamos ter considerado errado neste período. Essa elite raivosa babava e ainda baba pelos nossos acertos. Essa elite babava e te ofendia. Na imensa maioria das vezes nos deixavam muito acuadas, pois dentre essas violentas ofensas, usavam aquilo que pra nós é ao mesmo tempo ofensa e ofício: te chamavam de prostituta, em suas centenas de variações semânticas. O mais torpe refúgio dos canalhas e covardes é este: agredir uma mulher utilizando-se de sua sexualidade. Não importa quem seja ela ou o que tenha feito para isso, verdadeiramente não importa: seu grande crime é ter nascido mulher, e sua sexualidade deve ser atacada para humilhá-la. É a força do estigma sendo usada como potente fator de manutenção do sistema patriarcal: “não se porte como prostituta ou será tratada como uma”. No entanto, não nos é claro como seria este comportamento – de modo que todas, todas nós, todas as mulheres, estamos sujeitas a este tipo de tratamento. Vil. Indecoroso. Violento.
Tens sido vítima diariamente e há tempos de muitas injustiças e graves agressões. E nós nos solidarizamos, e a cada dia nos fazemos mais orgulhosas de ti, por que tens suportado a tudo, forte e altiva  – como uma de nós.
Nos tempos assustadores que temos vivido, querida Dilma, e na noite sombria que parece não tardar a cair sobre nosso país, temos achado importante te dizer e repetir: também nós nos orgulhamos de ti. Da tua postura. Da tua serenidade diante ‘disso tudo’, serenidade que muitos homens não teriam. Tens sido ao mesmo passo inspiração e fortaleza. Da tua honestidade e franqueza também também nós nos orgulhamos.
E asseguramos: estaremos juntas, haja o que houver. A luta pela democracia, a luta contra os retrocessos que ameaçam, é também uma luta nossa. Não desistiremos.
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Monique Prada é trabalhadora sexual, Co-editora do projeto MundoInvisivel.ORG e presidenta da CUTS – Central Única de Trabalhadoras e Trabalhadores Sexuais.