quarta-feira, 6 de abril de 2016

Pessoas.

Gosto das pessoas que tocam a minha alma sem pedir licença

As pessoas que admiro cabem nos dedos de uma mão. São as que observo e escuto em silêncio, são as que me enriquecem e as que, quase sem querer, me fazem melhor a cada dia. Agora, elas nem se dão conta, porque os seus corações são humildes e não compreendem o alcance dos seus exemplos.
Poderíamos dizer sem medo que toda pessoa precisa de alguém para admirar, alguém que lhe sirva de referência e que a inspire. Não se trata de adotar um modelo, de imitar as palavras de um pensador, um escritor ou um guru da mídia. Também precisamos de referências próximas.
Existem pessoas que aparecem nas nossas vidas como trazidos por um desígnio casual no momento mais adequado. São um sopro de ar fresco que reconforta a mente e a alma, se encaixam aos nossos valores e se instalam nos nossos corações quase sem pedir licença.
É possível que você identifique esse tipo de pessoas em algum familiar, em um amigo ou inclusive, por que não, no seu companheiro. Se é assim, se você já conta com essa presença positiva e reconfortante, não a perca. Cuide dela, esteja atento a ela e deixe-se envolver por cada um dos seus estímulos positivos.
Costuma-se dizer que há presenças sem igual ao longo das nossas vidas, pessoas que deixam marcas. Já que todos somos breves inquilinos deste mundo, não hesite em aproveitar cada instante, cada momento na sua companhia.

Pessoas significativas que enriquecem, que somam e não subtraem

Mulher com boa alma
Certamente ao longo da sua vida você já cruzou com pessoas que tiram mais do que contribuem, que subtraem mais do que enriquecem. É algo comum e não por isso é preciso se frustrar ou se dar por vencido.
Na vida sempre existirão pessoas que valerão a pena, seres que dão calor em dias escuros e que dirão a palavra certa no instante mais necessário. A bondade, como a luz do sol, é algo que nunca se extinguirá.
Algo que devemos ter sempre presente é que para construir esse tipo de relacionamento positivo e significativo é preciso também colocar um tanto de si e fazer a sua parte.
  • Confie. É possível que você tenha sido ferido muitas vezes ao longo da sua vida, que a família tenha falhado com você nos momentos mais cruciais. Agora, não cometa o erro de fechar o seu coração e vesti-lo de amargura.
  • Deixe-se levar pelos seus sentidos. A bondade atrai a bondade. Se a sua essência é nobre, você se unirá a alguém com as mesmas características, com os mesmos valores. Se alguma vez você se enganou, com certeza agora você já tem uma lição aprendida e sabe muito bem quem merece estar na sua vida e quem não.
  • Aprenda. Nunca se deve deixar de aprender, e para isso é preciso ser humilde. Os livros certamente dizem muito, a vida também já deve ter lhe ensinado uma infinidade de coisas… Agora, se existe algo autêntico e enriquecedor é permitir abrir o seu coração a pessoas que podem enriquecê-lo, oferecer outros pontos de vista, transmitir calma e bem-estar…

Os pilares dos relacionamentos significativos: compromisso e confiança

mae-com-seus-filhos
Não importa se essas pessoas que habitam a sua alma são seus pais, seus irmãos, seusamigos ou seu parceiro. Todo relacionamento significativo e enriquecedor está sustentado por duas raízes que nunca deveriam ser quebradas: o compromisso e a confiança.
As pessoas que tocam as nossas almas escrevem nelas com um fio dourado que nos sustenta e nos protege. Essa união sela um compromisso indestrutível baseado na confiança e na reciprocidade.
Os relacionamentos significativos, esses com as pessoas que sem saber direito como, são guias e hóspedes em nossos corações, se diferenciam do restante de muitas formas diferentes. São pequenos detalhes que são intuídos quase que a partir do primeiro momento.
  • Essa amizade, esse carinho, não se mede pela quantidade de vezes que nos vemos na semana. Nem pelos favores que fizermos, nem pelas confissões, nem pelos cafés compartilhados. É medido pela qualidade e pela cumplicidade desses instantes vividos.
  • A confiança vai mais além de um “você me dá e eu te dou”. É um “estou aqui para você”, e com isso já não é preciso dizer mais nada; o carinho e a cumplicidade estão implícitos.
  • Neste tipo de relacionamentos podemos ser nós mesmos em toda a nossa profundidade, nuances e detalhes. A outra pessoa conhece muito bem as nossas sombras e defeitos, contudo, quase sem perceber vai nos ajudando a sermos melhor do que fomos ontem.
Existem pessoas de essência verdadeira, de sorrisos autênticos que nos ensinam a ser mais completos. Às vezes todos precisamos desses encontros, porque a vida não é só uma rotina interminável.
Viver é deixar-se surpreender e permitir-se o imprevisto, é dar passagem a estes relacionamentos positivos que nos trazem ventos novos que enriquecem corpo e mente, e que quase sem pedir licença… vão se instalando em nossas almas.
crianças-no-campo
Imagens cortesia Christian Schloe e Claudia Tremblay.

terça-feira, 5 de abril de 2016


Professora humilha universitária que levou filha para a sala de aula

Professora da UFRGS assedia aluna que levou filha para a sala de aula. Durante festival de grosserias, sobrou até para a criança

professora humilha estudante filha UFRGS porto alegre
Nina Bitencour, graduanda em Letras, na UFRGS (reprodução)
Nina Bitencourt mora em Porto Alegre e é estudante de Letras, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Também é mãe da pequena Anya, de cinco anos. Com todas as dificuldades de criar uma filha e conciliar os estudos, Nina persiste na caminhada e continua na universidade. Mas, infelizmente, há sempre algumas pedras pelo caminho. De onde menos se espera: de uma professora.
Na última quinta-feira, Nina precisou levar a filha para a sala de aula, mas a professora não reagiu bem à presença de Anya. A mãe compartilhou um relato sobre o episódio no Facebook. O texto já tem mais de 11 mil compartilhamentos.
“Entrei na sala, dei oi e fui seguindo pra me sentar. A professora me olhou com um ar de incredulidade e, sem sequer me responder o cumprimento, iniciou um sistemático questionário sobre a minha filha: ” ELA VAI ENTRAR NA AULA?”; “ELA PODE ASSISTIR AULA?”; “ELA NÃO VAI SE CHATEAR E INCOMODAR A AULA?”; “TU NÃO TEM CRECHE PRA DEIXAR ELA?”; “NENHUM PARENTE PODE FICAR COM ELA PRA TI?”; “TEM CERTEZA”. Respondi pacientemente às perguntas e expliquei que ela estar ali comigo era o modo de garantir minha permanência na universidade.
Mesmo explicando a necessidade da filha estar presente na sala de aula, a professora reagiu de forma negativa, com olhares raivosos para a criança. Depois de 15 minutos de aula, a professora indagou o motivo de Nina não deixar a filha com outra pessoa:
“Até que, num certo momento, após uns 15 minutos de aula e sem nada ter sido feito da parte da minha filha pra provocar tal reação, a professora explode repetindo a pergunta: “MAS TU NÃO TEM MESMO COM QUEM DEIXAR ELA?”.
A mãe não aceitou o assédio da professora e se retirou da sala. Muitos colegas tentaram intervir na discussão, tentando apoiar Nina. Em seu relato, ela conta que foi até a Comissão de Graduação para apresentar queixa.
“Fui até à Comissão de Graduação e, enquanto eu era orientada quanto às medidas cabíveis, a professora apareceu e continuou falando, justificando, se exaltando e repetindo NA FRENTE DA MINHA FILHA o quanto ela estava atrapalhando porque estava BRINCANDO. Não respondi, me dirigi à funcionária da Comissão agradecendo e dizendo que ia abrir o processo por assédio moral e que não tinha mais nada pra falar com a professora.
Nina conta que a criança ficou sem entender nada e se sentiu culpada por ver a mãe saindo da aula. “O que eu fiz pra deixar minha mãe triste assim? Por que minha mãe foi expulsa da aula por minha culpa? Essas duas perguntas encheram a cabeça da Anya”, conta.
O que diz a lei
Pela lei nº 6.202 (criada em 1975) universitárias têm direito ao chamado regime domiciliar: a partir do oitavo mês de gestação, durante três meses, podem compensar a ausência nas aulas com trabalhos feitos em casa. O que determina o início e o fim desse regime é o atestado médico apresentado pela aluna.
Na visão de especialistas, documentos como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Constituição resguardam os direitos de mães e filhos, se sobrepondo a regras ocasionais criadas pelas instituições de ensino.
Nina é uma entre milhares de mães que lutam pelo direito de continuar estudando e lutando pelo futuro de seus filhos. No seu relato no Facebook, ela criticou o fato de a mulher mãe ser excluída de qualquer oportunidade na sociedade:
“A maternidade e o quanto ela causa a exclusão da mulher no mercado de trabalho, na escola e na universidade é uma pauta que grita por visibilidade dentro dos movimentos sociais. Eu vou perder a cadeira, não tem condições de seguir assistindo aula com uma pessoa dessas. O que alguém assim pode me ensinar? Entrei grávida na universidade e estou 4 semestres atrasada do meu tempo de ter me formado, porque sou mãe e preciso trabalhar nos horários que a UFRGS disponibiliza as aulas. O questionamento que quero deixar com esse breve relato é: Quantas mães não assistiram aula por causa dos seus filhos hoje? Quantas mães não conseguiram emprego por causa dos seus filhos hoje? E quantas mais serão excluídas por serem mães amanhã?”